Artrite e Reumatismo: Diagnóstico e Acompanhamento nos Cuidados Primários
Dra. Ana Rodrigues

Dra. Ana Rodrigues

Médica de Medicina Geral e Familiar

Médica especialista em Medicina Geral e Familiar com 11 anos de exercício nos Cuidados de Saúde Primários do SNS. Exerce funções numa USF em Lisboa, onde acompanha utentes de todas as idades com foco na prevenção, gestão de doenças crónicas e promoção de estilos de vida saudáveis.

Licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e com especialização em MGF pelo Colégio de Especialidade da Ordem dos Médicos. Participa regularmente em formações contínuas e tem especial interesse em saúde da mulher, diabetes e literacia em saúde.

Artrite e Reumatismo: Diagnóstico e Acompanhamento nos Cuidados Primários

As doenças reumáticas afetam cerca de um terço da população portuguesa, tornando-se uma das principais causas de incapacidade e limitação funcional. Artrite, artrose, fibromialgia e outras patologias musculoesqueléticas têm impacto significativo na qualidade de vida — e o diagnóstico precoce nos cuidados de saúde primários é crucial para travar a progressão da doença.

Artrite vs. Artrose: qual a diferença?

É comum confundir os dois termos, mas referem-se a condições distintas:

  • Artrose (osteoartrose): desgaste progressivo da cartilagem articular, associado ao envelhecimento e ao uso excessivo das articulações. Mais comum nos joelhos, anca, coluna e mãos.
  • Artrite reumatoide: doença autoimune inflamatória crónica que ataca a membrana sinovial das articulações, podendo causar deformação e incapacidade se não tratada.
  • Artrite psoriática: inflamação articular associada à psoríase.
  • Gota: deposição de cristais de ácido úrico nas articulações, causando crises de dor intensa.

Sintomas que devem motivar consulta

Deve consultar o médico de família se apresentar:

  • Dor, inchaço ou rigidez articular que persiste mais de 6 semanas
  • Rigidez matinal com duração superior a 30 minutos
  • Articulações quentes e vermelhas sem causa aparente
  • Dificuldade em abrir a mão, fechar o punho ou realizar tarefas do dia a dia
  • Cansaço intenso associado a dores articulares

Como é feito o diagnóstico no centro de saúde?

O médico de família realiza a avaliação inicial com:

  1. História clínica detalhada: início dos sintomas, articulações afetadas, história familiar
  2. Exame físico: avaliação das articulações, mobilidade e sinais inflamatórios
  3. Análises sanguíneas: VSE, PCR, fator reumatoide, anti-CCP, ácido úrico
  4. Radiografia ou ecografia articular: avaliação de lesões estruturais

Tratamento nos cuidados primários

O médico de família pode iniciar e gerir o tratamento de muitas doenças reumáticas:

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): ibuprofeno, naproxeno — para alívio da dor e inflamação
  • Corticosteroides: em ciclos curtos para crises agudas
  • Analgésicos: paracetamol para controlo da dor crónica
  • Fisioterapia e exercício: fundamental para manutenção da função articular

Quando referenciar para reumatologia?

O médico de família referencia para consulta de Reumatologia hospitalar quando há:

  • Suspeita de artrite reumatoide, espondilite anquilosante ou lúpus
  • Resposta insuficiente ao tratamento inicial
  • Necessidade de medicação imunossupressora ou biológica
  • Doença rapidamente progressiva com risco de incapacidade

Viver com doença reumática

A Sociedade Portuguesa de Reumatologia e a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPCDR) oferecem informação, apoio e grupos de ajuda mútua. Em Portugal, o SNS garante o acesso a medicamentos biológicos inovadores para doenças reumáticas graves, sem custo adicional para o doente.

Não normalize a dor. Se as suas articulações doem de forma persistente, fale com o seu médico de família — o tratamento precoce faz toda a diferença.

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