Enf. Pedro Marques
Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária
Enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária e Saúde Pública com 9 anos de experiência em Centros de Saúde do SNS. Trabalha no terreno como enfermeiro de família e coordena programas de vacinação, rastreio oncológico e cuidados domiciliários a população vulnerável.
Licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto e membro ativo da Ordem dos Enfermeiros. Colabora com equipas multidisciplinares na promoção da saúde junto de escolas, idosos e comunidades rurais.
Cuidados Paliativos no SNS: Apoio ao Doente e Família em Portugal
Os cuidados paliativos representam uma abordagem humanizada e especializada para doentes com doenças graves e progressivas, onde a cura já não é o objetivo principal. Em Portugal, o SNS oferece este tipo de cuidados em contexto hospitalar, em unidades especializadas e, cada vez mais, no domicílio do doente.
O que são cuidados paliativos?
Segundo a Organização Mundial de Saúde, os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida do doente e da família através da prevenção e alívio do sofrimento, com avaliação e tratamento da dor, sintomas físicos, psicológicos, sociais e espirituais. São indicados para doentes com:
- Cancro avançado
- Insuficiência cardíaca, renal ou respiratória grave
- Doenças neurológicas progressivas (ELA, demências avançadas)
- Outras doenças crónicas incapacitantes em fase terminal
Equipas e estruturas de cuidados paliativos em Portugal
O sistema de cuidados paliativos em Portugal está organizado em três níveis:
- Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP): prestam apoio no domicílio e nos centros de saúde, articulando com o médico de família e o enfermeiro de família
- Equipas Intra-Hospitalares de Suporte em Cuidados Paliativos (EIHSCP): apoiam doentes internados nos hospitais
- Unidades de Cuidados Paliativos (UCP): unidades de internamento dedicadas exclusivamente a estes cuidados
Como aceder aos cuidados paliativos no SNS?
O acesso faz-se através de referenciação médica:
- O médico de família, o médico hospitalar ou o oncologista identifica a necessidade e realiza a referenciação para a equipa paliativa.
- A equipa avalia o doente no domicílio, no centro de saúde ou no hospital.
- É elaborado um plano individualizado de cuidados com o doente e a família.
- O acompanhamento é contínuo e adaptado à evolução da doença.
Apoio à família e ao cuidador
Os cuidados paliativos no SNS não se dirigem apenas ao doente. A família e os cuidadores informais têm um papel central e recebem apoio específico:
- Formação para cuidar em casa: administração de medicação, posicionamentos, higiene
- Apoio psicológico durante a doença e no luto
- Gestão da síndrome de sobrecarga do cuidador
- Articulação com assistente social para apoios práticos (ajudas técnicas, apoio domiciliário, apoios financeiros)
Controlo da dor e de sintomas
Um dos pilares dos cuidados paliativos é o controlo eficaz da dor. As equipas paliativos têm acesso a fármacos potentes, incluindo opióides de elevada eficácia, e utilizam abordagens multimodais para gerir sintomas como:
- Dor crónica e oncológica
- Dispneia (falta de ar)
- Náuseas e vómitos
- Ansiedade e agitação
- Fadiga intensa
Cuidados paliativos e centros de saúde
O enfermeiro de família e o médico de família são peças essenciais neste processo. Em muitos ACES, as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) têm equipas de cuidados paliativos ou de suporte que acompanham o doente em casa, evitando internamentos desnecessários e respeitando o desejo de muitos doentes de permanecer no seu ambiente familiar.
Se a si ou a um familiar foi diagnosticada uma doença grave e progressiva, não hesite em pedir ao médico de família informação sobre os cuidados paliativos disponíveis na sua área de residência.