Artrite e Reumatismo: Diagnóstico e Acompanhamento nos Cuidados Primários

Artrite e Reumatismo: Diagnóstico e Acompanhamento nos Cuidados Primários

As doenças reumáticas afetam cerca de um terço da população portuguesa, tornando-se uma das principais causas de incapacidade e limitação funcional. Artrite, artrose, fibromialgia e outras patologias musculoesqueléticas têm impacto significativo na qualidade de vida — e o diagnóstico precoce nos cuidados de saúde primários é crucial para travar a progressão da doença.

Artrite vs. Artrose: qual a diferença?

É comum confundir os dois termos, mas referem-se a condições distintas:

  • Artrose (osteoartrose): desgaste progressivo da cartilagem articular, associado ao envelhecimento e ao uso excessivo das articulações. Mais comum nos joelhos, anca, coluna e mãos.
  • Artrite reumatoide: doença autoimune inflamatória crónica que ataca a membrana sinovial das articulações, podendo causar deformação e incapacidade se não tratada.
  • Artrite psoriática: inflamação articular associada à psoríase.
  • Gota: deposição de cristais de ácido úrico nas articulações, causando crises de dor intensa.

Sintomas que devem motivar consulta

Deve consultar o médico de família se apresentar:

  • Dor, inchaço ou rigidez articular que persiste mais de 6 semanas
  • Rigidez matinal com duração superior a 30 minutos
  • Articulações quentes e vermelhas sem causa aparente
  • Dificuldade em abrir a mão, fechar o punho ou realizar tarefas do dia a dia
  • Cansaço intenso associado a dores articulares

Como é feito o diagnóstico no centro de saúde?

O médico de família realiza a avaliação inicial com:

  1. História clínica detalhada: início dos sintomas, articulações afetadas, história familiar
  2. Exame físico: avaliação das articulações, mobilidade e sinais inflamatórios
  3. Análises sanguíneas: VSE, PCR, fator reumatoide, anti-CCP, ácido úrico
  4. Radiografia ou ecografia articular: avaliação de lesões estruturais

Tratamento nos cuidados primários

O médico de família pode iniciar e gerir o tratamento de muitas doenças reumáticas:

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): ibuprofeno, naproxeno — para alívio da dor e inflamação
  • Corticosteroides: em ciclos curtos para crises agudas
  • Analgésicos: paracetamol para controlo da dor crónica
  • Fisioterapia e exercício: fundamental para manutenção da função articular

Quando referenciar para reumatologia?

O médico de família referencia para consulta de Reumatologia hospitalar quando há:

  • Suspeita de artrite reumatoide, espondilite anquilosante ou lúpus
  • Resposta insuficiente ao tratamento inicial
  • Necessidade de medicação imunossupressora ou biológica
  • Doença rapidamente progressiva com risco de incapacidade

Viver com doença reumática

A Sociedade Portuguesa de Reumatologia e a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPCDR) oferecem informação, apoio e grupos de ajuda mútua. Em Portugal, o SNS garante o acesso a medicamentos biológicos inovadores para doenças reumáticas graves, sem custo adicional para o doente.

Não normalize a dor. Se as suas articulações doem de forma persistente, fale com o seu médico de família — o tratamento precoce faz toda a diferença.

Partilhar:
Link copiado!