ECG e Saúde Cardiovascular nos Cuidados de Saúde Primários
Enf. Pedro Marques

Enf. Pedro Marques

Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária

Enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária e Saúde Pública com 9 anos de experiência em Centros de Saúde do SNS. Trabalha no terreno como enfermeiro de família e coordena programas de vacinação, rastreio oncológico e cuidados domiciliários a população vulnerável.

Licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto e membro ativo da Ordem dos Enfermeiros. Colabora com equipas multidisciplinares na promoção da saúde junto de escolas, idosos e comunidades rurais.

ECG e Saúde Cardiovascular nos Cuidados de Saúde Primários

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, responsáveis por cerca de 30% de todos os óbitos. O rastreio e a gestão dos fatores de risco nos cuidados de saúde primários são a primeira linha de defesa na prevenção do enfarte do miocárdio e do AVC — as duas principais emergências cardiovasculares.

O que é o ECG e quando deve ser feito?

O eletrocardiograma (ECG) é um exame simples e indolor que regista a atividade elétrica do coração. É realizado na consulta de enfermagem dos centros de saúde e permite detetar:

  • Arritmias (como fibrilhação auricular, taquicardia ou bradicardia)
  • Hipertrofia ventricular esquerda (associada a hipertensão não controlada)
  • Alterações sugestivas de doença coronária
  • Bloqueios de ramo

O médico de família solicita o ECG no contexto de:

  • Avaliação de risco cardiovascular em doentes com fatores de risco
  • Queixas de palpitações, síncope ou dor torácica
  • Antes de iniciar certos medicamentos
  • Avaliação periódica de doentes hipertensos ou diabéticos

Rastreio de fibrilhação auricular

A fibrilhação auricular (FA) é a arritmia cardíaca mais comum, afetando 2-3% da população portuguesa. É silenciosa em muitos casos e é a principal causa de AVC cardioembólico. Por isso, o rastreio oportunístico da FA — palpação do pulso ou ECG — é recomendado em todos os doentes com mais de 65 anos.

Avaliação do risco cardiovascular

Nos centros de saúde, o médico de família calcula o risco cardiovascular global de cada doente usando ferramentas como o SCORE2 ou o Framingham, que têm em conta:

  • Idade e sexo
  • Tensão arterial sistólica
  • Colesterol total e LDL
  • Tabagismo
  • Diabetes
  • História familiar de doença cardiovascular precoce

Consoante o risco calculado, o médico define metas de controlo e a intensidade do tratamento.

Exames complementares disponíveis no SNS

Além do ECG, os cuidados primários têm acesso a:

  • Holter 24h: monitorização contínua do ritmo cardíaco para detetar arritmias intermitentes
  • MAPA (Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial): registo da tensão arterial ao longo de 24h
  • Ecocardiograma: avaliação da estrutura e função cardíaca (solicitado pelo médico, realizado no hospital)
  • Análises: colesterol, glicemia, hemoglobina glicada (HbA1c), PCR

Sinais de alerta de emergência cardiovascular

Reconheça os sintomas que exigem chamada imediata ao 112:

  • Dor no peito intensa, opressiva, que irradia para o braço esquerdo ou maxilar
  • Dificuldade em falar, paralisia facial ou fraqueza súbita num lado do corpo (AVC)
  • Perda de consciência súbita
  • Palpitações com desconforto torácico e falta de ar

Prevenção cardiovascular: o que pode fazer hoje

  • Não fume — o tabaco duplica o risco cardiovascular
  • Meça a tensão arterial regularmente (valor alvo <130/80 mmHg)
  • Controle o colesterol com dieta e, se necessário, medicação
  • Pratique exercício físico moderado 150 minutos por semana
  • Mantenha um peso saudável (IMC 18,5-25 kg/m²)

O seu coração é o motor da sua vida. Marque uma consulta de vigilância cardiovascular no seu centro de saúde e conheça o seu risco.

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