Dor Crónica: Gestão e Tratamento nos Centros de Saúde
A dor crónica — definida como dor com duração superior a 3 meses — afeta cerca de 37% da população portuguesa adulta. É a principal causa de incapacidade e redução da qualidade de vida. O médico de família é o pivot no diagnóstico e gestão desta condição complexa.
Tipos mais comuns de dor crónica
- Lombálgia crónica (dor nas costas)
- Artrose e artrite reumatoide
- Fibromialgia
- Enxaqueca crónica
- Neuropatia diabética
- Dor oncológica
- Dor pós-cirúrgica ou pós-traumática
Avaliação da dor no Centro de Saúde
A avaliação da dor inclui a caracterização da sua intensidade (escalas numéricas 0-10), localização, tipo, fatores agravantes/aliviantes, impacto nas atividades diárias e saúde mental. Muitos Centros de Saúde adotam a Escala Visual Analógica (EVA) para monitorização regular.
Abordagem terapêutica
O tratamento da dor crónica é multimodal:
- Farmacológico: Analgésicos (paracetamol, anti-inflamatórios), opioides de baixa dose (sob vigilância apertada), antidepressivos e anticonvulsivantes para dor neuropática
- Fisioterapia: Fundamental para dor músculo-esquelética — reforço muscular, mobilização, eletroterapia
- Psicologia: A terapia cognitivo-comportamental é eficaz na gestão da dor crónica, modificando a relação do doente com a dor
- Acupuntura: Disponível em alguns ACES, com evidência para lombálgia e enxaqueca
Referenciação para Unidade de Dor
Casos de dor crónica complexa ou refratária ao tratamento nos CSP são referenciados pelo médico de família para as Unidades de Dor Crónica hospitalares, onde equipas multidisciplinares (anestesiologistas de dor, psicólogos, fisioterapeutas) realizam intervenções mais avançadas.