Dor Crónica: Gestão e Tratamento nos Centros de Saúde
Dra. Ana Rodrigues

Dra. Ana Rodrigues

Médica de Medicina Geral e Familiar

Médica especialista em Medicina Geral e Familiar com 11 anos de exercício nos Cuidados de Saúde Primários do SNS. Exerce funções numa USF em Lisboa, onde acompanha utentes de todas as idades com foco na prevenção, gestão de doenças crónicas e promoção de estilos de vida saudáveis.

Licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e com especialização em MGF pelo Colégio de Especialidade da Ordem dos Médicos. Participa regularmente em formações contínuas e tem especial interesse em saúde da mulher, diabetes e literacia em saúde.

Dor Crónica: Gestão e Tratamento nos Centros de Saúde

A dor crónica — definida como dor com duração superior a 3 meses — afeta cerca de 37% da população portuguesa adulta. É a principal causa de incapacidade e redução da qualidade de vida. O médico de família é o pivot no diagnóstico e gestão desta condição complexa.

Tipos mais comuns de dor crónica

  • Lombálgia crónica (dor nas costas)
  • Artrose e artrite reumatoide
  • Fibromialgia
  • Enxaqueca crónica
  • Neuropatia diabética
  • Dor oncológica
  • Dor pós-cirúrgica ou pós-traumática

Avaliação da dor no Centro de Saúde

A avaliação da dor inclui a caracterização da sua intensidade (escalas numéricas 0-10), localização, tipo, fatores agravantes/aliviantes, impacto nas atividades diárias e saúde mental. Muitos Centros de Saúde adotam a Escala Visual Analógica (EVA) para monitorização regular.

Abordagem terapêutica

O tratamento da dor crónica é multimodal:

  • Farmacológico: Analgésicos (paracetamol, anti-inflamatórios), opioides de baixa dose (sob vigilância apertada), antidepressivos e anticonvulsivantes para dor neuropática
  • Fisioterapia: Fundamental para dor músculo-esquelética — reforço muscular, mobilização, eletroterapia
  • Psicologia: A terapia cognitivo-comportamental é eficaz na gestão da dor crónica, modificando a relação do doente com a dor
  • Acupuntura: Disponível em alguns ACES, com evidência para lombálgia e enxaqueca

Referenciação para Unidade de Dor

Casos de dor crónica complexa ou refratária ao tratamento nos CSP são referenciados pelo médico de família para as Unidades de Dor Crónica hospitalares, onde equipas multidisciplinares (anestesiologistas de dor, psicólogos, fisioterapeutas) realizam intervenções mais avançadas.

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