Dra. Ana Rodrigues
Médica de Medicina Geral e Familiar
Médica especialista em Medicina Geral e Familiar com 11 anos de exercício nos Cuidados de Saúde Primários do SNS. Exerce funções numa USF em Lisboa, onde acompanha utentes de todas as idades com foco na prevenção, gestão de doenças crónicas e promoção de estilos de vida saudáveis.
Licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e com especialização em MGF pelo Colégio de Especialidade da Ordem dos Médicos. Participa regularmente em formações contínuas e tem especial interesse em saúde da mulher, diabetes e literacia em saúde.
Hipertensão Arterial: Diagnóstico e Tratamento no SNS
A hipertensão arterial (tensão alta) afeta cerca de 35% da população portuguesa adulta e é um dos principais fatores de risco cardiovascular. Conhecida como o "assassino silencioso", na maioria dos casos não provoca sintomas — daí a importância do diagnóstico precoce.
O que é a hipertensão arterial?
A tensão arterial é considerada elevada quando os valores são iguais ou superiores a 140/90 mmHg em medições repetidas. A Sociedade Europeia de Cardiologia classifica:
- Normal: < 120/80 mmHg
- Normal-alta: 120-139 / 80-89 mmHg
- Hipertensão grau 1: 140-159 / 90-99 mmHg
- Hipertensão grau 2: 160-179 / 100-109 mmHg
- Hipertensão grau 3: ≥ 180 / ≥ 110 mmHg
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de hipertensão requer medições repetidas em pelo menos 2 visitas ao Centro de Saúde, com intervalo de 1-4 semanas. Em alguns casos, o médico poderá solicitar monitorização ambulatória da tensão arterial (MAPA) — um aparelho que o utente usa durante 24 horas e que regista a tensão ao longo do dia e da noite.
Tratamento: medicação e estilo de vida
O tratamento da hipertensão combina sempre mudanças no estilo de vida com medicação (quando necessária):
- Reduzir o consumo de sal (menos de 5g/dia)
- Praticar exercício físico regular (150 min/semana de intensidade moderada)
- Manter peso adequado
- Reduzir consumo de álcool
- Não fumar
- Gerir o stress
Quando as medidas de estilo de vida não são suficientes, o médico de família prescreve anti-hipertensores — medicamentos que são comparticipados pelo SNS. A adesão diária à medicação é fundamental para manter a tensão controlada.