centrosdesaúde
Sem médico de família: o que fazer e como pedir atribuição

Sem médico de família: o que fazer e como pedir atribuição

Por Equipa editorial CentrosdeSaúde.com Publicado em

Informação elaborada a partir de fontes oficiais do SNS e de outras entidades públicas, listadas no fim do artigo. Conheça a nossa metodologia. Este conteúdo não substitui aconselhamento médico.

Resposta rápida: Não ter médico de família não retira o direito a cuidados de saúde. Para pedir atribuição, o utente precisa de registo atualizado no Registo Nacional de Utentes e de inscrição num centro de saúde; depois fica elegível para uma equipa de saúde familiar, consoante as vagas e as prioridades legais. Se o acesso falhar, pode pedir esclarecimentos, contactar a ERS e reclamar.

Este guia é para quem vive em Portugal e não tem médico de família atribuído, ou quer pedir transferência ou mudança. As regras de inscrição e de registo de utentes foram reformuladas: entraram em vigor a 1 de abril de 2025 e foram depois alteradas pelo Despacho n.º 3118/2026, de 11 de março. Não repetimos aqui o que é um médico de família; para isso, veja Médico de Família: o que é e como escolher o seu no SNS.

Quem não tem médico de família fica sem cuidados?

Não. Segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), independentemente de ter, ou não, médico de família atribuído, o utente tem direito a cuidados de saúde com qualidade e em tempo considerado clinicamente aceitável para a sua condição de saúde. A Carta dos Direitos de Acesso, divulgada pelo SNS, refere o mesmo direito à prestação de cuidados em tempo clinicamente aceitável.

Na prática, há duas vias previstas para quem precisa de cuidados sem equipa atribuída:

  • o utente sem inscrição nos cuidados de saúde primários pode fazer contactos esporádicos para cuidados médicos e de enfermagem, sem que isso gere uma inscrição numa unidade;
  • o utente inscrito num centro de saúde pode, pontualmente, em situações de doença aguda ou inadiáveis, recorrer a outra unidade funcional.

Para marcar consultas e perceber a diferença entre centro de saúde e urgência, veja Como Marcar Consulta no Centro de Saúde pelo SNS24 e Cuidados de Saúde Primários vs. Urgências.

O que é preciso para pedir atribuição de médico de família?

O primeiro passo é estar inscrito. A inscrição nos cuidados de saúde primários obriga a um registo atualizado (ou atualizado não residente) no Registo Nacional de Utentes (RNU) e é feita num centro de saúde de uma unidade local de saúde. O ePortugal indica que se pode inscrever qualquer pessoa de nacionalidade portuguesa, ou de nacionalidade estrangeira com autorização de residência em Portugal, e que é preciso ter número nacional de utente e apresentar alguns documentos e informações.

Quem está inscrito fica elegível para uma equipa de saúde familiar. A ERS acrescenta que o utente que está sem equipa de saúde familiar por opção pode, a qualquer momento, solicitar a sua atribuição.

Como pedir atribuição, passo a passo?

  1. Confirme o seu número nacional de utente e os dados de identificação. No Portal e na App SNS24 pode consultar os seus dados e a caracterização da sua inscrição nos cuidados de saúde primários, quando aplicável.
  2. Verifique se o registo está atualizado. Se faltarem dados, dirija-se a uma unidade de saúde com a documentação necessária.
  3. Inscreva-se, ou confirme a inscrição, no centro de saúde da unidade local de saúde da sua área.
  4. Peça a atribuição de médico de família nessa unidade e questione a que lista de espera foi associado.
  5. Se pertence a um agregado com grávida, doença crónica, multimorbilidade ou criança até 12 anos, informe a unidade, porque estas famílias têm prioridade.

Não encontrámos, numa página oficial, uma funcionalidade online para pedir a atribuição diretamente; confirme no seu centro de saúde o canal disponível. Pode ver a morada do mais próximo no nosso diretório de centros de saúde, por exemplo em Lisboa ou no Porto.

Por que ordem são atribuídos os médicos?

A inscrição em lista de médico de família depende da disponibilidade de vagas nas unidades funcionais da unidade local de saúde onde o utente tem registo atualizado, e tem de respeitar os intervalos de dimensão das listas. Privilegia-se a inscrição em agregado familiar, para que os utentes fiquem, preferencialmente, com o mesmo médico.

SituaçãoRegra segundo a ERS
Família com grávidaPrioridade na atribuição
Utente com doença crónica ou multimorbilidadePrioridade na atribuição
Família com criança até 12 anosPrioridade na atribuição
Restantes utentesAtribuição conforme as vagas disponíveis

Como mudar de unidade ou de lista de médico?

A ERS confirma dois direitos: o utente pode solicitar a transferência de unidade funcional nos cuidados de saúde primários e pode optar por não ter médico de família ou pedir a saída da lista onde está inscrito. A transferência depende, como qualquer inscrição, das vagas existentes na unidade pretendida. Não conseguimos confirmar numa página oficial um procedimento nacional uniforme para trocar de médico dentro da mesma unidade; o melhor é fazer o pedido por escrito ao centro de saúde e guardar o comprovativo.

Posso perder o médico de família?

Pode. A ERS explica que os utentes sem contacto com o SNS há mais de cinco anos podem deixar de ter médico de família, libertando a vaga, mas não perdem a inscrição nem o acesso aos cuidados de saúde primários, desde que o registo esteja atualizado. Contam todos os cuidados do SNS: quem não vai ao centro de saúde há mais de cinco anos mas recebeu cuidados hospitalares numa unidade do SNS já não é elegível para esta reformulação.

E se o registo no RNU estiver incompleto?

Um registo em curso tem a duração máxima de 180 dias, contados desde a data do contacto do SNS com o cidadão para atualizar os dados. Decorridos 90 dias após o primeiro contacto, sem que os dados tenham sido preenchidos, é feito um novo contacto. No Portal e na App SNS24 pode atualizar o telefone e o e-mail. A SPMS recorda que os utentes podem sempre atualizar os dados numa unidade de saúde, com a documentação necessária.

Um registo incompleto não impede o acesso ao SNS: a ERS é clara em que, independentemente do tipo de registo no RNU, os cidadãos portugueses e os residentes abrangidos são beneficiários do SNS. Mas sem registo atualizado não há inscrição nos cuidados de saúde primários.

O que fazer se o acesso a cuidados não for respeitado?

  1. Peça esclarecimentos ao estabelecimento prestador de cuidados.
  2. Se a dúvida persistir, faça um pedido de informação à ERS, nomeadamente através do formulário online.
  3. Se não obtiver resolução, apresente reclamação na unidade de saúde, no Livro de Reclamações físico ou eletrónico, ou através do formulário da ERS.

O call center da ERS é o 309 309 309 (chamada para rede fixa nacional), das 9h às 17h30. Veja também como funcionam os ACES e o papel do enfermeiro de família, que também integra a equipa de saúde familiar. Sobre a forma como recolhemos e verificamos a informação, consulte a nossa metodologia.

Quando procurar ajuda urgente

Esta página é administrativa. Para sintomas ou dúvidas clínicas, contacte o SNS 24 ou, em emergência, o número nacional de emergência; não espere pela atribuição de médico.

Perguntas frequentes

Sem médico de família, posso ir ao centro de saúde?

Sim. Quem não tem inscrição pode fazer contactos esporádicos para cuidados médicos e de enfermagem, e quem está inscrito pode recorrer pontualmente a outra unidade em doença aguda ou situação inadiável.

Preciso de registo atualizado para ter médico de família?

Sim. A inscrição nos cuidados de saúde primários exige registo atualizado ou atualizado não residente no RNU.

Quem tem prioridade na atribuição?

Segundo a ERS, as famílias com grávidas, utentes com multimorbilidade ou doença crónica, ou crianças até 12 anos de vida.

Posso recusar ter médico de família?

Sim. O utente pode optar pela não inscrição em médico de família ou pedir a saída da lista, e pode solicitar a atribuição mais tarde.

Quanto tempo demora a ser atribuído?

Não há prazo oficial verificado: depende das vagas e das listas de espera da sua unidade local de saúde.

Fontes oficiais

Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Informação verificada em 31 de outubro de 2026.

Partilhar:
Link copiado!